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A Posse de Lula 1/1/2003A cada ano que se inicia, renovamos nossas esperanças. É uma tradição indispensável para que nossas forças sejam revigoradas. Abrimos champanha, entramos na água do mar, vemos fogos, dançamos e, com o corpo cansado e a alma lavada, passamos a curtir a ressaca sonolenta que entorpece. Este ano, porém, as comemorações pela renovação da esperança não deram vez à ressaca. Para que o sonolento entorpecimento? Este ano, a alma não se contentou com a mesmice. Esperamos muito por este momento e ele chegou. Temos um presidente especial. Primeiro político de esquerda a atingir tal cargo, de origem operária e nordestina, pobre, sofrido e que, como todos nós, tem na esperança sua profissão. Numa festa jamais vista na história do País, marcada pela informalidade e euforia, às 15:05 h tomou posse, no Congresso Nacional, em Brasília, o novo Presidente, o 36º da história. Lula saiu da Granja do Torto, como Presidente Eleito, por volta das 14:00 h, ao lado da mulher e cercado por batedores e carros de segurança. Embarcou no tradicional Rolls Royce presidencial, na Catedral de Brasília e, ao lado do vice, José Alencar, durante o percurso para o Congresso Nacional, foi saudado pelo povo, estimado em 200 mil pessoas, que, aglomerado pelas ruas da Capital, agitavam bandeiras, cantavam músicas e gritavam, em cenas de contentamento explícito, dando muito trabalho aos seguranças. No Congresso, foi recebido e empossado pelo presidente do Legislativo, Ramez Tebet (PMDB-MS) e, por cerca de 45 min., fez um discurso no qual convocou a população para um "mutirão" contra a fome e prometeu mudanças. O povo se calou para ouvir o discurso. Após o discurso, o clima era de mais festa. Os militantes espalharam o vermelho sobre Brasília e mergulharam no espelho d'água do Congresso. Do Congresso, Lula seguiu para o Palácio do Planalto, de Rolls Royce e, ao chegar, a passos lentos, saboreando cada segundo, Lula subiu a rampa para encontrar com Fernando Henrique Cardoso de quem, às 17:10 h, recebeu a faixa presidencial selando uma das transições mais tranqüilas da história do Brasil. Depois, nomeou sua equipe de governo e fez um novo discurso, desta vez no parlatório do Palácio. No final, desfilou em carro aberto, como Presidente do Brasil, ao lado da Primeira-Dama.
Carolina Forain
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